
Estamos de volta com mais um Review de filme no KpopNow. Gostaria de agradecer aos leitores que comentaram o ultimo post, OBRIGADO! Hoje vamos comentar o filme de terror, indicado num dos comentários do primeiro Review, “A Tale of Two Sisters” (Coréia do Sul – 2003).
Introdução: O Terror Asiático
Quando pensamos em filmes de terror, muita coisa nos vem à cabeça: Assassinos mascarados, adolescentes burros (a velha história do “Sai daí seu otário!” ou “Eu com certeza não morreria nesse filme“), casas estranhas no meio do nada, sexo completamente fora do contexto, garotinhas possuídas, palavrões, correria sem sentido, sustos programados e, nos últimos tempos, tortura e gore sem fundamento.
Filmes de terror, na maioria das vezes, são apenas um divertimento. Há anos os filmes deixaram de assustar, e passando a ser previsíveis e, muitas vezes, sem sentido algum. Filmes de zumbis, por exemplo, tem uma história rabiscada só para justificar as tripas e sangue jorrando na cara do espectador. Se me indicam um filme de terror, sou do tipo que pensa: “Lá vem mais um, veja um e verás todos“. Mas esse é o estilo ocidental dos filmes de terror. No oriente a coisa é bem diferente.
Se alguém lhe indicar um filme oriental de terror, fique sabendo que você pode até não ficar com aquele medo de gelar a espinha, mas com certeza vai ficar com algumas cenas na cabeça durante um tempo. Não por que sejam sangrentas, mas sim por serem bem elaboradas e se encaixarem perfeitamente com a história.
O Chamado, acabou abrindo os olhos do mundo ( e principalmente dos Americanos ) para o cinema de horror oriental. Histórias simples, porém muito bem orquestradas são características de grande parte das produções orientais.
O ritmo é bem mais lento se comparado ao “corre ou você morre” dos filmes ocidentais. Muitas vezes assistir filmes asiáticos pode ser maçante, como a versão original de “O Grito” (principalmente quando você está começando nesse tipo de produção) e algumas cenas podem parecer sem sentido, mas até o filme mais tosco consegue se explicar até o final. Aliás, nenhum dos filmes de terror asiáticos que vi até hoje me decepcionaram quando o assunto é conclusão. Os finais são sempre surpreendentes. Enfim, abra sua mente e prepare-se para fantasmas de cabelão e bons sustos, garanto que o Terror Asiático vai te conquistar.

A História
A história é baseada em uma lenda popular da Coréia do Sul. As irmãs Bae Su Mi (Im Soo Jung) e Bae Su Yeon (Moon Geun Young) voltam para casa após um período num “internato” e são recebidas de braços abertos por seu pai e sua madrasta. A madrasta, assim como as duas garotas e o pai, aos poucos vão revelando um lado sombrio de suas personalidades. Além disso, eventos sobrenaturais começam a perturbar a harmonia da casa. Um filme onde o lado sobrenatural pode não ser tão assustador quanto o passado dos personagens. Definitivamente, o retorno das irmãs à casa dos sonhos, marcará para sempre suas vidas.
Aspectos Técnicos
O filme possui uma fotografia bem simples, porem eficaz. É importante notar as diferenças de iluminação entre a parte exterior da casa (linda, com bastante vegetação e um lago) e o interior da residência, que mesmo nas tomadas diurnas parece sempre sombrio. Toda essa diferença entre a parte interna e externa tem seus motivos, já que a atmosfera mórbida da casa contribui para as cenas de terror , alem de servirem como plano de fundo perfeito para as cenas de dialogo, que são quase sempre tão sombrios quanto a casa.
O roteiro não é dos melhores, mas é bem elaborado e surpreendente. Kim Ji-woon, o roteirista e também diretor do filme, conseguiu manter a história no ritmo certo, revelando cada detalhe ao seu tempo, sem confundir o espectador.
O figurino não é espetacular, mas cumpre seu papel. Em alguns casos ele até realça as características dos personagens, como por exemplo, as roupas de Su Yeon, que completam a inocência da garota.
A trilha sonora foi a única coisa que me incomodou no filme, não por ser ruim, mas por ser repetitiva. A trilha é parte importante de um filme, para citar alguns exemplos dentro do gênero, temos muitas trilhas simples e marcantes. A musica sussurrada de “Sexta Feira 13″, a profundidade e simplicidade da trilha de “Halloween” (elaborada pelo próprio diretor em poucas horas), o piano marcante de”O Exorcista”, ou a trilha indicada ao Oscar de (e que deveria ser de “O Exorcista”, mas os diretores resolveram ficar com o simples) “A Casa do Horror”. A trilha completa a tensão que a cena tenta transmitir, muitas vezes uma boa trilha é melhor que o silencio clichê antes de um susto.
No caso de “A Tale…”, a musica dos créditos não é assustadora e sim linda. É profunda e acaba sendo uma bela introdução para a história do longa. Mas outras versões da musica acabam tocando durante a história. A falha não esta na música e sim no uso exaustivo da mesma. Muitos filmes usam dessa técnica para economizar, mas acabam falhando num ponto importante. Poucos filmes conseguem bons resultados. Um exemplo é o filme “O Labirinto do Fauno” de Guillermo Del Toro, que usa varias versões da mesma trilha.
OBS: Enquanto escrevia o texto escutava a musica do filme, que é linda e mostra bem o estilo asiático com bastante cordas e um piano bem marcado.
Atuações
Simples e completas. Não espere assistir um filme de terror e encontrar atuações dignas de um Oscar. Nesse tipo de filme os personagens não são bem trabalhados, já que mais cedo ou mais tarde vão morrer ( ou não :P ). No caso de “A Tale…”, cada ator cumpre bem seu papel.
A atriz Im Soo Jung, que interpreta Sumi, conseguiu me surpreender. Ela vai do normal ao “louca de pedra” e consegue convencer muito bem o espectador. No inicio ela até parece um pouco seca nos seus diálogos, mas com a conclusão do filme percebemos que apesar da limitação, a atriz conseguiu trabalhar muito bem a personagem.
Suyeon é interpretada por Moon Geun Young, que consegue transmitir a inocência da personagem. Alguns rostos que a atriz faz podem tirar um “owwwww” de quem assiste o filme. É importante notar as diferenças entre a forma como as duas atrizes interpretam em cada fase do filme. Temos ainda o casal Eunjoo e Moo, interpretados pelos brilhantes Yeom Jeong Ah e Kim Kap Su. Kim interpreta um pai quase sem reações e Yeom faz da madrasta um personagem intrigante.

Três versões de uma mesma história
Antes de escrever esse Review, assisti o filme três vezes. A verão coreana, a americana e a dublada. Como já falamos da versão coreana, vamos falar um pouco sobre a americana que em solo nacional, que recebeu o título de “O Mistério das Duas Irmãs” ( The Uninvited – DVD 2009).
O filme segue a mesma linha do original, mas é um pouco mais corrido e menos assustador. Emily Browning, interpreta a personagem principal de filme, como em todos os outros que já fez, sem reação alguma. Devo dizer que até hoje, dos poucos filmes que a garota fez, apenas Sucker Punch me surpreendeu e por vários motivos, menos pela atuação da garota. O final do filme americano é bem menos interessante, embora seja parecido com o original.Enfim, a produção é infinitamente superior a refilmagem americana, por isso, apesar de indicar o filme para vocês notarem as diferenças, não garanto que você ira se divertir com o longa.
A versão dublada (No Brasil o filme recebeu o nome de “MEDO”) me irritou bastante. Não gosto de filmes dublados, mas no caso de terror, muitas vezes os dubladores salvam os atores menos providos de talento. Isso não acontece em “A Tale…” que recebeu vozes infantis (a da madrasta beira o ridículo) e atuações pífias. Não recomendo a versão dublada, até por que algumas falas foram modificadas para que a dublagem encaixasse nas cenas. Veja o original.

Minha Opinião
O filme é bom, tem uma história simples, mas certeira, além de boas atuações e sustos legais. A história na verdade é o grande bônus do filme e consegue prender o espectador até o final. Sou do tipo que assiste o filme todo mesmo que ele seja uma porcaria, gosto de dar chance ao trabalho que muitas pessoas tiveram.
No caso de “A Tale..”, eu não precisei me esforçar para ver o filme todo, pois fiquei preso à história logo no começo. Nunca havia assistido a versão coreana, mas já tinha sido torturado pela americana e mesmo com as histórias sendo parecidas, o coreano é infinitamente superior pelo simples fato de ser um filme bonito. Isso mesmo, um filme de terror que consegue conquistar por ser tocante.
Minha nota para o filme é:
- Roteiro: 9\10
- Atuação: 9\10
- Diversão: 9.5\10
- Nota final: 9\10
Ficha do Filme:
Título: A tale of two Sisters (장화, 홍련 Janghwa, Hongryeon literally ‘Rose Flower, Red Lotus)
Ano: 2003 – 115 min
Direção e Roteiro: Kim Ji-woon
Elenco:Im Soo-jung, Moon Geun-young, Yeom Jeong-ah, Kim Kap-su
Trailer
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